
SOUZA, Karla Isabel de. Novas Tecnologias e Educação: preparando a escola para a chegada da TV Digital Interativa,2005, Dissertação (Mestrado em Educação) UNICAMP.Campinas
A Autora
Karla Isabel de Souza é doutora em Educação, na área de Educação, Ciência e Tecnologia. Defendeu seus trabalhos de mestrado (2005) e doutorado (2009) na Universidade Estadual de Campinas e realizou o estágio doutoral na Universidade Complutense de Madri.
Atua profissionalmente na ECA/ USP como colaboradora no curso de Formação em Mídias e é articuladora do projeto EDUCOM. Também ministra aulas de inglês no Liceu Salesiano Nossa Senhora Auxiliadora. Até o ano de 2009 foi pesquisadora na Unicamp e até 2006 desenvolveu atividades de professora na Faculdade de Educação também Universidade Estadual de Campinas.
Tem dois livros publicados, vários artigos, diversas participações em congressos e em bancas avaliadoras de trabalhos de conclusão de curso de graduação.
Karla Isabel de Souza é doutora em Educação, na área de Educação, Ciência e Tecnologia. Defendeu seus trabalhos de mestrado (2005) e doutorado (2009) na Universidade Estadual de Campinas e realizou o estágio doutoral na Universidade Complutense de Madri.
Atua profissionalmente na ECA/ USP como colaboradora no curso de Formação em Mídias e é articuladora do projeto EDUCOM. Também ministra aulas de inglês no Liceu Salesiano Nossa Senhora Auxiliadora. Até o ano de 2009 foi pesquisadora na Unicamp e até 2006 desenvolveu atividades de professora na Faculdade de Educação também Universidade Estadual de Campinas.
Tem dois livros publicados, vários artigos, diversas participações em congressos e em bancas avaliadoras de trabalhos de conclusão de curso de graduação.
A Dissertação
“Novas Tecnologias e Educação: Preparando a escola para a chegada da TV Digital Interativa” é um estudo de caso relatado a partir da aplicação de um projeto em duas escolas públicas de Campinas que teve como objetivo “discutir a possibilidade de introdução de recursos tecnológicos na escola fundamental.”
Souza iniciou a pesquisa em questão no ano de 2004, sob a coordenação do professor Dr. Sérgio Ferreira do Amaral. O tema da dissertação são as novas tecnologias da comunicação na educação, o problema apresentado era se a escola poderia ser um local de formação de agentes protagonistas de sua história a partir da inserção das novas tecnologias em sala de aula e a hipótese levantada pela pesquisadora é que para a escola se configurar como um local de formação de agentes protagonistas de sua história a partir da inserção das novas tecnologias, seria necessária a criação de uma pedagogia dialógica da comunicação, assim, optou pelo estudo de caso como metodologia de suas ações científicas e por uma base teórica fundamentada em educadores de correntes progressistas como Paulo Freire e Francisco Gutierrez.
O trabalho está estruturado da seguinte maneira: introdução, quatro capítulos e conclusão. O primeiro capítulo apresenta uma discussão teórica sobre as novas tecnologias na educação e apresenta a proposta da pesquisadora sobre escola. No segundo capítulo Souza explica e relaciona o estudo de caso com a pesquisa além de fazer análise de dados. O relatório de pesquisa apresenta cada um dos componentes envolvidos no projeto e é o assunto do terceiro capítulo. A descrição das produções e a comparação estabelecida entre elas por Souza fazem parte do último capítulo. Na conclusão, Souza afirma que nas escolas onde o projeto foi efetivamente aplicado houve realmente uma mudança de postura tanto de educadoras como de educandos, que conquistaram autonomia em suas ações, a partir da construção de uma pedagogia dialógica da comunicação além de, em uma das escolas, conseguirem inclusive a implantação de uma sala de informática na escola, ou seja, conquistaram também os bens materiais necessários ao desenvolvimento dessa prática.
Capítulo ISouza inicia este capítulo apresentando as idéias de Darcy Ribeiro acerca do fracasso escolar. Ribeiro afirma que o aumento do número de alunos, o investimento inversamente proporcional a esse crescimento em educação e a falta de valorização da carreira de professor são os verdadeiros responsáveis pelos resultados desfavoráveis que vêem sendo obtidos pela educação escolar brasileira. Além disso refuta veemente o uso dos meios de comunicação como substitutos das escolas e argumenta contra a capacidade dos meios tecnológicos melhorarem a qualidade de ensino.
A autora busca em McLuhan fundamentação teórica para demonstrar o quanto e como seria possível um avanço educacional a partir da implementação dos meios de comunicação em sala de aula. O autor sugere que o curso da humanidade foi modificado a partir da presença de novas tecnologias na Idade Média e Renascença, afirma que o surgimento de novas tecnologias no seio de uma cultura é capaz de fazê – la modificar – se e assim explica a passagem do homem à condição de ser “imagético” com o advento do alfabeto fonético. McLuhan ainda coloca que a partir do surgimento da tipografia consolidam – se as forças centralizadoras do nacionalismo moderno pois, as línguas vernáculas transformam – se em meios de comunicação de massa e como tal, apresentam – se em sistemas fechados. (Cf. SOUZA – 2005, p. 03 e 04)
Souza desenvolve a partir dessas teorias, reflexões sobre as relações estabelecidas entre a escola atual e as tecnologias surgidas após o advento da escrita e da prensa. Para fundamentar – se busca apoio nos trabalhos de Paulo Freire, Manacorda e Francisco Gutierrez.
Tanto Freire, como Manacorda e Gutierrez consideram imprescindível a inclusão dos meios de comunicação de massa na educação formal pois vêem a educação escolar como um ato político e a exclusão desses meios como uma fonte de desigualdade de oportunidades entre os que frequentam as escolas públicas (pessoas das classes populares) e os alunos das escolas privadas (pessoas das classes economicamente favorecidas).
Apoiada em Freire e Gutierrez, a pesquisadora desenvolverá sua proposta de escola inserida na sociedade da informação.
Intitula essa parte do capítulo de “A pedagogia da comunicação: uma proposta anti – Gutemberg” porque se contrapõe às posições de McLuhan, apresentadas na obra “A Galáxia de Gutemberg” no que tange à implantação dos meios de comunicação nas escolas.
Souza concorda com McLuhan quanto à necessidade do uso desses meios na educação escolar porém, baseada em Freire e Gutierrez, avalia relevante pensar a maneira através da qual isso deve acontecer, pontuando que um uso dos meios de comunicação unicamente baseado na idéia de progresso tecnológico pode não levar a uma formação humanista do homem, modificando negativamente a cultura.
Freire e Gutierrez conceituam a educação escolar como um ato político e o educador como alguém consciente da importância de sua atuação como responsável pelo estabelecimento de uma pedagogia do diálogo, que dê voz a educadores e educandos possibilitando uma aprendizagem processual, construtiva e crítica, na qual sejam metas principais a auto gestão e a participação democrática de seus membros na sociedade.
Para tanto Gutierrez propõe uma inserção dos meios de comunicação de massa na escola a partir de uma pedagogia que centre seus objetivos na formação de receptores críticos com a inclusão de uma educação semiótica.
Freire pensa em um trabalho conjunto de professores e técnicos que resulte em uma proposta de ensino adequada às realidades vividas por esses profissionais e as comunidades nas quais estão inseridos, para tanto entende ser imprescindível haver formação do educador e produção de materiais pedagógicos nos próprios centros educacionais onde realizam suas atividades laborais.
Souza pesquisou também sobre a realidade brasileira e de outros países no que diz respeito ao uso dos meios de comunicação como TV, computador, jogos eletrônicos, internet banda larga etc pela população e constatou que no Brasil, assim como no restante do mundo, a situação é muito semelhante. O acesso privilegiado a esses meios encontra – se entre os homens brancos das classes A e B, além de restringirem – se a menos de 50% da população.
Encontrou também reflexões de sociólogos, educadores etc. acerca das preocupações governamentais em relação à entrada desse material na escola. Os pensadores estadunidenses desenvolveram fortes críticas a respeito da transformação das escolas em supermercados, onde a implementação tecnológica visa apenas o atendimento de um mercado produtor, além de outras, a respeito da colonização tenológica desenvolvida pelos EUA a partir da exportação de uma tecnologia voltada aos interesses de formação cultural específica dos cidadãos daquele país .
No Brasil, Souza encontrou condições legislativas de se inserir esses meios na educação escolar. Como documentos cita os Parâmetros Curriculares Nacionais e o Estatuto da Criança e do Adolescente.
A partir das reflexões encontradas em Freire e Gutierrez e dos dados e reflexões levantados a respeito do uso dos meios de comunicação de massa pela educação escolar a pesquisadora coloca como maior desafio da escola atual a tríade estudante – tecnologia – educação pois, para ela, está aí a chave para uma educação nova, onde a escola se torne um local de fomento de discussões críticas e formação de um homem construtor de sua história.
Capítulo II
Nesse capítulo, Souza explica a opção pelo estudo de caso como metodologia e o relaciona com sua pesquisa. Segundo ela, a escolha se dá pelo fato do objeto de estudo não ser algo passível de manipulação, pois o objetivo, nesse caso era, não era modificar o comportamento das educadoras integrantes do projeto e sim dar a elas opção de escolher novos recursos para o desenvolvimento de seu trabalho pedagógico.
A pesquisadora dividiu suas ações em cinco etapas e iniciou seu estudo levantando quais tipos de recursos eram utilizados pelas professoras, quais os conhecimentos que já possuíam a respeito dos meios de comunicação de massa, qual a relevância para aquelas educadoras em trabalhar com os meios oferecidos e qual o melhor meio para capacitá – las. O segundo passo foi observar as condições emocionais, cognitivas e profissionais das educadoras, focando suas dúvidas e necessidades dentro da sala de aula. No terceiro momento o foco recai sobre a reação das professoras e das próprias unidades escolares no caso da implantação da TVDI. Já o quarto e quinto passos estavam interligados e diziam respeito à definição da base teórica que, como já foi dito antes, está calcada nas teorias educativas de Freire e Gutierrez.
A partir dessas definições Souza pode definir professoras e alunos como agentes e construtores de seu conhecimento além de definir quais as fontes a serem utilizadas para a coleta de dados. Foram elas: documentos da escola anteriores ao início do trabalho, questionários , observação direta, observação participante, fotografias e vídeos.
O estudo de caso integrou ao projeto professoras, estudantes a e comunidade.
As primeiras ações foram com as professoras, em reuniões semanais, onde estas foram sensibilizadas para o uso dos recursos apresentados. Com os estudantes os primeiros contatos se deram a partir da filmagem de eventos da escola pela pesquisadora e depois por um questionário de sondagem abordando a relação desses educandos com os meios de comunicação de massa. Os pais foram integrados ao projeto após uma mostra de trabalhos realizada na escola.
As ações nas escolas contaram com apoio direto das equipes do LANTEC (Laboratório de Novas Tecnologias Aplicadas à Educação – Unicamp), da bolsista SAE (Serviço de Apoio ao Estudante) e de um estudante contratado com recursos do LANTEC. Os estudantes trabalhavam diretamente com as educadoras no auxílio às suas pesquisas e produção de materiais.
Ao término da pesquisa, analisando os dados, Souza identificou cinco fases pelas quais o estudo passou: 1- primeiro contato com a comunidade escolar, 2- a primeira produção (apenas com as professoras), 3- segunda produção (os alunos começaram a questionar sobre sua participação), 4 – terceira produção (segundo Souza, esse foi o ápice do projeto por ter podido vislumbrar uma nova visão de educação/ tecnologia) e 5 – quando a comunidade escolar não permitiu a saída do projeto do ambiente escolar.
Capítulo III
O terceiro capítulo se constitui do relatório da pesquisa propriamente dito.
A autora relata como o projeto se iniciou, desenvolveu e terminou, bem como as dificuldades enfrentadas dentro de cada escola.
É importante salientar que as maiores dificuldades apontadas pela pesquisadora e as comunidades escolares são as estruturais/ administrativas. A falta de condições de trabalho que vai desde inexistência do laboratório de informática até o número restrito de profissionais na equipe de técnicos e funcionários das unidades escolares é assunto marcante no texto do relatório.
Segundo Souza, o projeto que estava planejado para atender 3 escolas, iniciou efetivamente com duas; uma da rede estadual e outra da rede municipal de ensino; e terminou apenas com uma, a EMEF “Professora Dulce Bento Nascimento”. Uma das explicações encontrada pela pesquisadora foi o fato da escola estadual contemplar classes até a quarta série, a remoção da diretora e da professora responsável pelo desenvolvimento do projeto no término do primeiro ano em que este havia sido implantado, o que demonstra uma certa fragilidade administrativa por parte da Secretaria de Educação. Nesse caso, a ação acarretou o término de um projeto que beneficiaria a comunidade escolar como um todo.
A escola municipal, embora não tenha tido o mesmo destino administrativo, precisou contar com o envolvimento direto da comunidade e do LANTEC, tanto no sentido estrutural como financeiro para poder manter o trabalho caminhando.
Ao término do relatório, Souza explica que foi obrigada realizar as produções com DVD devido à demora na definição do padrão brasileiro de TV Digital.
Capítulo IV
Nesse capítulo está relatado como as produções foram discutidas, concebidas e produzidas.
Para a capacitação das educadoras ao uso dos aparelhos oferecidos, foi realizada uma produção coletiva na qual as três professoras participaram.
O passo seguinte foi partir para produções individuais que seriam trocadas entre as escolas. Com a discussão dessas produções a pesquisadora pode perceber as áreas do conhecimento em que cada uma preferia atuar. Foram sugeridos os seguintes temas: Folclore, Índios e Aparelho Locomotor.
Os quatro vídeos foram utilizados com os alunos que também deram opiniões, compararam as produções e questionaram a possibilidade de sua participação no projeto.
Três outros temas foram abordados: Água, Frações e O Homem Aproveita os Recursos da Natureza. Nessa etapa, as professoras se prepararam para a inclusão do alunado na realização dos trabalhos. Os DVDs produzidos circularam entre as classes das duas escolas.
As discussões caminharam para a necessidade de uma avaliação e então foram realizadas 11 oficinas com os alunos que, a partir de um dos DVDs assistidos, deveriam produzir roteiros e gravar com base no que era solicitado e visto.
Devido a isso os estudantes estavam capacitados para atuar em mais três projetos: Alimentação, População Brasileira: sua origem e evolução, Sistema Digestório.
Em 2005 houve a saída da escola estadual e a ampliação do projeto na escola municipal que passou a contar com uma sala de informática. Isso propiciou o trabalho com textos e facilitou a pesquisa na internet, além de trazer a tona discussões importantes como a aplicação dos recursos tecnológicos na sala de aula, a importância no roteiro e do protagonismo juvenil. Dessas discussões resultaram ações para a capacitação para a sala de informática e maior centralização das produções nos alunos.
Com as discussões apuraram – se também algumas dificuldades para edição de material. A solução encontrada foi a instalação, pelo LANTEC, de uma ilha de edição na escola, bem como a capacitação de alunos para a linguagem HTML.
Souza verificou que mesmo antes de serem capacitados a utilizar a televisão como recurso pedagógico, alunos e professores apresentaram certo grau de alfabetização midiática, colocando opiniões críticas a respeito da forma como as produções foram realizadas.
Considerações Finais
No último capítulo seguem – se relatos de como foram realizadas cada uma das produções bem como a apresentação de seus conteúdos. Nesse momento alguns questionamentos nos surgiram.
A abordagem dada a alguns temas restringiu – se ao óbvio, enquanto outros, ainda que com uma abordagem crítica, ficavam presos às orientações teórico – filosóficas dos PCNs, documento oficial, embasado em uma pedagogia cognitivista, ou seja, as discussões trazidas pelos materiais produzidos não extrapolavam para o âmbito político das questões abordadas, ponto básico da pedagogia freireana, na qual a pesquisadora se fundamentou.
Compreendemos que o conteúdo da dissertação se baseia em um projeto embrionário, ou seja, essa pode ser apenas uma etapa para um aprofundamento maior das questões relativas às teorias e práticas da educação junto à comunidade escolar, portanto não colocamos esse aspecto como uma crítica e sim como um questionamento porque desejamos fundamentar nosso trabalho dentro da concepção freireana de educação.
Porém apontamos como de suma importância nos resultados obtidos por esse trabalho a criação de um verdadeiro ambiente de ensino – aprendizagem, onde professores e alunos tiveram espaço para debater idéias que convergiam para uma mesmo fim, e que, em nossa avaliação, possibilitou à comunidade escolar da EMEF “Professora Dulce Bento do Nascimento” assumir a responsabilidade pela construção de seu conhecimento.
BibliografiaSOUZA, Karla Isabel de. Novas Tecnologias e Educação: preparando a escola para a chegada da TV Digital Interativa,2005, Dissertação (Mestrado em Educação) UNICAMP.Campinas.
Bibliografia Complementar
ABRAMO, Perseu. Padrões de Manipulação na Grande Imprensa. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2003.
FREIRE, Paulo. A Importância do Ato de Ler: em três artigos que se complementam, 33 ª edição, São Paulo: Cortez, 1997.
_____________ ; GUIMARÃES, Sérgio. Sobre Educação: diálogos, 2ª edição, vol. 2, Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1984.
MARCONDES FILHO,Ciro. Televisão, a Vida pelo Vídeo,13ª edição, São Paulo: Moderna, 1998.
MOREIRA, Antônio Flávio; SILVA, Tomaz Tadeu da. Currículo, Cultura e Sociedade, 7ª edição, São Paulo: Cortez, 2002.
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MARCONDES FILHO,Ciro. Televisão, a Vida pelo Vídeo,13ª edição, São Paulo: Moderna, 1998.
MOREIRA, Antônio Flávio; SILVA, Tomaz Tadeu da. Currículo, Cultura e Sociedade, 7ª edição, São Paulo: Cortez, 2002.
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