
Numa bela manhã de sol, dois companheiros de infância se encontraram na principal rua do centro da cidade. Eram dois cães. Um morava na casa mais bonita e mais rica daquele lugar e o outro vivia na rua.
O cão doméstico tinha o pelo brilhoso, limpo e escovado, aparência de bem nutrido e levava no pescoço uma grossa coleira de couro legítimo com uma medalha de ouro maciço onde se via seu nome gravado “Gastão”.
O cão de rua estava com os pelos sujos, emaranhados de nós, magérrimo e sem qualquer identificação.
Trombaram – se no meio da calçada e Gastão indignou – se com a situação do antigo amigo de infância que reconheceu na mesma hora.
_ Ora, ora se não é meu antigo amigo Asa!
_ Gastão, que prazer em revê – lo, amigão!
_ Mas o que acontece com você, garoto? Veja seu pelo, sua magreza. Olhe para mim. Tenho o pelo escovado todos os dias, comida farta na tigela, estou forte e com muita saúde. Isso que é vida!
Asa, balançando a cabeça pergunta para Gastão o que é aquilo que ele traz ao pescoço.
_ A coleira com a qual meu dono me prende quando a noite cai.
_ A tua coleira é o preço da tua liberdade .Caro amigo, não me desfaço de sua escolha, mas prefiro a fome à escravidão.
Texto adaptado do livro “Fábulas de Esopo”, de Guilherme Figueiredo
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