Este trabalho tem por
objetivo apresentar a biografia e a obra de Diego Rivera, de maneira resumida,
a partir de uma pesquisa bibliográfica.
A obra de Rivera está
muito associada ao Movimento Muralista Mexicano, embora não se restrinja a ele.
Para tratar do trabalho deste artista é necessário compreender a trajetória
política do México entre o final do século XIX e o início do século XX,
principalmente os momentos que antecedem a Revolução Mexicana e as
consequências históricas deste episódio.
Para isso dividimos o
texto a seguir em três capítulos. No primeiro trataremos da biografia do pintor
e do contexto histórico; no segundo a abordagem recai sobre sua obra, mais
especificamente sobre o Movimento Muralista e para o terceiro e último capítulo
reservamos a análise da obra “Os Exploradores”, de 1926 e que se encontra na
parede oeste da Universidade de Chapingo, na cidade do México.
Capítulo 1 - BIOGRAFIA E CONTEXTO
1.1 Quem foi Diego Rivera?
Diego
Rivera foi um dos
maiores artistas plásticos mexicanos, junto com Orozco e Siqueiros, forma o
trio dos principais muralistas mexicanos.
Rivera nasceu no dia 8 de
dezembro de 1886, na cidade de Guanajuato, no México.
Iniciou seus estudos na Academia
de Bellas Artes de San Carlos, México.
Em 1907, com uma bolsa de
estudos, foi para a Europa onde ficou até 1921 e pode conhecer grandes artistas
que, mais tarde, influenciariam seu trabalho. Teve contato e experimentou o
cubismo.
Iniciou suas pinturas em um
ateliê madrilenho, na Espanha. Lá conheceu sua primeira esposa, a também
pintora Angelina Beloff.
Embora Diego tenha ficado famoso
pelos murais que realizou, o artista também produziu obras de cavalete.
Utilizava uma técnica chamada encáustica, que consiste em misturar cera quente
aos pigmentos, uma das principais técnicas utilizada no mundo antigo.
Rivera produziu mais de 2 mil
quadros, 5 mil desenhos e mais de 6 mil metros quadrados em obras murais.
Ao retornar para seu país,
encontrou no poder Álvaro Obregón, presidente que instituiu várias mudanças na
área educacional e apoiou o Movimento Muralista,
As convicções políticas do
artista ficaram patentes em suas obras. Optou por trabalhar com murais por
considerar burguesa a arte enclausurada em galerias. A ideologia comunista
aparece em suas obras, principalmente no painel que pintou para o Rockfeller
Center e depois reproduziu no Palácio de Belas Artes do México, onde aparecem
Marx e Trotsky. É comum encontrar indígenas e trabalhadores em suas pinturas.
Na cidade do México há um museu
dedicado à sua obra.
A vida amorosa do artista também
é bastante propalada e seu romance mais famoso foi com a também pintora
mexicana Frida Kahlo, com quem foi casado até 1954.
“Ele era um príncipe
transfigurado em sapo, um homem extraordinário, repleto de um humor brilhante,
grande encanto e vitalidade.” Assim o
descreve o Dicionário Oxford de Arte.
Diego Rivera faleceu no México,
em 1957, aos 70 anos.
1.2 Porfiriato e Revolução Mexicana
O período de 1876 a 1911
é chamado, na política mexicana, de Porfiriato.
Nessa época o México era
governado por Porfírio Díaz, um general que, a partir de um golpe de Estado,
chega ao poder e consegue, através de eleições fraudadas, manter-se à frente do
executivo até 1911.
O governo de Díaz é
marcado pela influência Positivista e pela modernização que conseguiu dar ao
país, porém a maneira como essa modernização foi realizada, a partir de
concessões a países estrangeiros para a exploração de petróleo e também em
outros âmbitos, acabou desviando os lucros que seriam do México para os países
concessionários.
No setor agrícola foram
privilegiadas as grandes propriedades e as terras indígenas comunitárias
(ejidos) foram confiscadas devido à falta de documentos que comprovassem sua
propriedade.
A consequência dessas
políticas foi a intensa dependência da economia do capital estrangeiro, o
empobrecimento da população local e a intensificação da repressão a partir do
uso da violência policial.
Essa situação uniu parte
da burguesia mexicana, anarquistas, socialistas e camponeses na reivindicação
de reformas políticas e sociais.
Entre 1910 e 1911
rebeliões camponesas acabaram forçando a renúncia de Díaz, que se exilou na
França enquanto Madero assumiu a presidência.
Porém as rebeliões se
intensificaram e os camponeses, chefiados por Pancho Villa e Emiliano Zapata,
atacaram os latifundiários e dividiram as terras entre a população. A reação
veio liderada pelo general Victoriano Huerta, apoiado pelos Estados Unidos. Em
1913 Madero foi deposto e assassinado, Huerta assumiu a presidência e em 1914
os Estados Unidos tentou intimidar Huerta e os revolucionários.
A rebelião continuou,
Huerta foi deposto e Carranza assumiu o comando do país apoiado pelos líderes
revolucionários.
Entre 1916 e 1917 os
Estados Unidos invadiu o México em busca de Pancho Villa, intento que
fracassou, houve a reunião de uma Assembleia Constituinte e a promulgação da
Constituição.
Entre 1917 e 1923 os
líderes revolucionários Pancho Villa e Zapata foram assassinados, mas as
pressões populares continuaram.
EM 1920 Álvaro Obregón
assumiu a presidência e sob seu governo os sindicatos se organizaram, um plano
nacional de educação foi instituído e deu-se o desenvolvimento do movimento
muralista.
Capítulo 2 - A OBRA DE RIVERA E O MOVIMENTO
MURALISTA
2.1 Movimento Muralista
A partir da chegada de
Álvaro Obregón ao poder inicia-se uma busca pela construção da identidade
nacional mexicana, assim setores como educação e artes ganham importância. Intelectuais
assumem cargos de destaque na administração pública. Um dos principais nomes
dessa época é José Vasconcelos, advogado, filósofo e escritor que ocupou o
cargo de Ministro da Educação Pública.
Os ideais desses homens
estavam diretamente ligados à construção de uma nova ordem nacional, visando
combater as condições de injustiça social, exploração e analfabetismo às quais
estavam sujeitas as populações indígena e rural, fruto dos anos de porfiriato.
Seu maior objetivo era a
incorporação total da população indígena à população mexicana.
Para tanto apostou na
construção de um projeto de natureza pedagógica para a efetivação da cultura e
estética propriamente mexicanas.
O movimento muralista,
dentre os movimentos artístico, foi o que atuou de forma mais vigorosa,
contribuindo para essa finalidade.
“As
narrativas enredadas e a reprodução dos murais evidenciam a sua importância na
corroboração da proposta de uma arte de caráter público, opositora à tradição
ocidental europeia da pintura de cavalete emergente na América Latina nos idos
de 1920.” (BEAUCLAIR, 2005, p. 3)
Assim, a importância
dessas obras não se encontra apenas nas questões estética e histórica mas
também na questão política e nos debates que ainda suscitam.
Os principais nomes do
muralismo mexicano são José Clemente Orozco (1883-1949), Diego Rivera
(1886-1957) e David Alfaro Siqueiros (1896-1974).
Em seus trabalhos é
possível perceber as relações estabelecidas entre as sociedades pré-hispâncias
como genitoras da genuína cultura mexicana, cujo resgate é realizado a partir
da Revolução Mexicana.
Beauclair aponta que
ainda hoje existe um esforço do poder público mexicano na conservação e
divulgação dessas obras, de suas mensagens e em associar a pintura mural com a
Revolução, porém alerta para o fato do muralismo não se reduzir a uma produção
meramente política, como já foi acima citado. Há uma grande importância
política nas obras murais, mas a questão estética e cultural não podem deixar
de ser observadas bem como o interesse desse movimento na construção de uma
cultura nacional mexicana.
Segundo Hannah Gilman, as
principais características do muralismo mexicano são:
Estarem as obras em
locais públicos, tratarem de uma temática revolucionária, mesclarem influências
artísticas, visarem o reforço da identidade mexicana, estabelecerem conexão
entre a arte e a sociedade e ampliarem o conhecimento da história nacional.
2.2 A obra de Diego Rivera
De 1907 a 1921, Diego Rivera estudou
na Europa por conta de uma bolsa de estudos. Ali, além de travar conhecimento
com diversos pintores e demais artistas, tomou contato com o cubismo e o
renascimento, que foram influências permanentes em suas obras.
Ao retornar ao México, dedicou-se
à pintura muralista e juntamente com Orozco e Siqueiros, foi considerado um dos
três grandes nesta arte.
Como já foi citado anteriormente,
o movimento muralista buscou resgatar a suntuosidade da cultura pré-colombiana
como representante legítima do povo mexicano.
Rivera produziu obras monumentais
não apenas na forma mas no conteúdo. Entre 1921 e 1956, realizou 6.730 m2 de
pintura distribuídos entre México, Estados Unidos, China e Polônia.
O posicionamento político de
Rivera também figurou em sua obra. Comunista, é comum a presença dos indígenas
de maneira idealizada. As figuras aparecem pintadas em forma bidimensional e
suas pinturas sofreram as influências do Cubismo e do Renascimento.
Entre seus murais mais famosos
estão os do Palácio do Governo, de 1929, e os do Palácio Nacional, de 1935, no
México. Mas o mais polêmico trabalho de Diego foi realizado em Nova York, no
Rockfeller Center, de 1930 a 1934, chamou-se “Man at the crossroads looking
with hope and high vision to the choosing of a new better future” e foi
eliminado antes de ser terminado, devido à figura de Lênin, pintada em uma das
extremidades da obra. Rivera refez o mural, na cidade do México e a ele
acrescentou as imagens de Marx e Trotsky.
Capítulo 3 - MURAL “OS EXPLORADORES”
![]() |
Mural “Os Exploradores”, de Diego Rivera –
Universidade de Chapingo, México.
Fonte: http://www.brasilartesenciclopedias.com.br/mobile/internacional/mural09.html
|
3.1 Análise da Obra
Dentre as características do muralismo apontadas
por Hannah Gilman (obras em locais
públicos, temática revolucionária, mescla de influências artísticas, reforço da
identidade mexicana, estabelecimento de conexão entre a arte e a sociedade e
ampliação do conhecimento da história nacional), podemos verificar nesta obra a
presença de todas. O mural se encontra em uma parede da Universidade de
Chapingo, no México, ou seja, em local público. A temática revolucionária se
expressa já no título da obra e as imagens de trabalhadores sendo coagidos é
emblemática. Tanto em explorados como em exploradores (rapaz que está com a
arma, em cima do cavalo) é possível perceber características físicas atribuídas
ao povo mexicano, principalmente aos descendentes de indígenas. A situação remete
ao período pré-revolução, quando indígenas e camponeses tiveram suas terras
confiscadas pelo governo e repassadas a grandes proprietários de terra
mexicanos e estrangeiros, o que liga a arte à realidade social de um passado
recente. É também possível perceber certa geometrização das figuras,
provavelmente, influência da arte cubista.
Além disso é preciso apontar à
esquerda, soldados que revistam um minerador representando a opressão que a
polícia exercia sobre as classes populares durante o porfiriato. Há uma pessoa
branca, de características claramente caucasianas, em cima de um cavalo
chicoteando um nativo juntamente a esta personagem observa-se alguém, em trajes
menos sofisticados, apontando uma arma aos trabalhadores.
Neste mural, Rivera retrata a opressão exercida
pelo governo sobre as classes populares apontando o cenário social, político e
econômico no México pré-revolução.
Bibliografia
1.CAMPOS, Raymundo. História da América. São Paulo: Atual,
1982.
2.DICIONÁRIO OXFORD DE
ARTE. SP: Martins Fontes, 1996.
3.QUINSANI, Rafael
Hansen. A Revolução na Encruzilhada: uma análise da arte revolucionária do
muralismo mexicano a partir da imagem: O Homem Controlador do Universo, de
Diego Rivera. In: História, imagem e narrativas, RS, n.11, 2010.
4.SOUZA, Jorge José
Barros. O Labirinto da Solidão: os caminhos e descaminhos da Revolução
Mexicana. In: Revista Contemporânea – Dossiê Nuestra América, SP, Ano2, n. 2,
2012.
Internet
1.Anais ANPUH
2.Brasil Artes
Enciclopédias
http://www.brasilartesenciclopedias.com.br/mobile/internacional/mural09.html
3.Centro de
Investigação para Tecnologias Interactivas
http://www.citi.pt/cultura/artes_plasticas/desenho/alvaro_cunhal/rivera.html
4.Muralismo Mexicano
5.Muralismo Mexicano
6.Revolução Mexicana de
1910
https://www.youtube.com/watch?v=pZyYURRzbBk


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