sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Diego Rivera - Trabalho de História da Arte - Deyse Beatriz, Luis Carlos Lisboa e Yara Esteves Peres


INTRODUÇÃO
Este trabalho tem por objetivo apresentar a biografia e a obra de Diego Rivera, de maneira resumida, a partir de uma pesquisa bibliográfica.

A obra de Rivera está muito associada ao Movimento Muralista Mexicano, embora não se restrinja a ele. Para tratar do trabalho deste artista é necessário compreender a trajetória política do México entre o final do século XIX e o início do século XX, principalmente os momentos que antecedem a Revolução Mexicana e as consequências históricas deste episódio.


Para isso dividimos o texto a seguir em três capítulos. No primeiro trataremos da biografia do pintor e do contexto histórico; no segundo a abordagem recai sobre sua obra, mais especificamente sobre o Movimento Muralista e para o terceiro e último capítulo reservamos a análise da obra “Os Exploradores”, de 1926 e que se encontra na parede oeste da Universidade de Chapingo, na cidade do México.

Capítulo 1 - BIOGRAFIA E CONTEXTO

1.1  Quem foi Diego Rivera?

Diego Rivera foi um dos maiores artistas plásticos mexicanos, junto com Orozco e Siqueiros, forma o trio dos principais muralistas mexicanos.

Rivera nasceu no dia 8 de dezembro de 1886, na cidade de Guanajuato, no México.

Iniciou seus estudos na Academia de Bellas Artes de San Carlos, México.

Em 1907, com uma bolsa de estudos, foi para a Europa onde ficou até 1921 e pode conhecer grandes artistas que, mais tarde, influenciariam seu trabalho. Teve contato e experimentou o cubismo.

Iniciou suas pinturas em um ateliê madrilenho, na Espanha. Lá conheceu sua primeira esposa, a também pintora Angelina Beloff.

Embora Diego tenha ficado famoso pelos murais que realizou, o artista também produziu obras de cavalete. Utilizava uma técnica chamada encáustica, que consiste em misturar cera quente aos pigmentos, uma das principais técnicas utilizada no mundo antigo.

Rivera produziu mais de 2 mil quadros, 5 mil desenhos e mais de 6 mil metros quadrados em obras murais.

Ao retornar para seu país, encontrou no poder Álvaro Obregón, presidente que instituiu várias mudanças na área educacional e apoiou o Movimento Muralista,

As convicções políticas do artista ficaram patentes em suas obras. Optou por trabalhar com murais por considerar burguesa a arte enclausurada em galerias. A ideologia comunista aparece em suas obras, principalmente no painel que pintou para o Rockfeller Center e depois reproduziu no Palácio de Belas Artes do México, onde aparecem Marx e Trotsky. É comum encontrar indígenas e trabalhadores em suas pinturas.

Na cidade do México há um museu dedicado à sua obra.

A vida amorosa do artista também é bastante propalada e seu romance mais famoso foi com a também pintora mexicana Frida Kahlo, com quem foi casado até 1954.

“Ele era um príncipe transfigurado em sapo, um homem extraordinário, repleto de um humor brilhante, grande encanto e vitalidade.”  Assim o descreve o Dicionário Oxford de Arte.

Diego Rivera faleceu no México, em 1957, aos 70 anos.

1.2  Porfiriato e Revolução Mexicana

O período de 1876 a 1911 é chamado, na política mexicana, de Porfiriato.

Nessa época o México era governado por Porfírio Díaz, um general que, a partir de um golpe de Estado, chega ao poder e consegue, através de eleições fraudadas, manter-se à frente do executivo até 1911.

O governo de Díaz é marcado pela influência Positivista e pela modernização que conseguiu dar ao país, porém a maneira como essa modernização foi realizada, a partir de concessões a países estrangeiros para a exploração de petróleo e também em outros âmbitos, acabou desviando os lucros que seriam do México para os países concessionários.

No setor agrícola foram privilegiadas as grandes propriedades e as terras indígenas comunitárias (ejidos) foram confiscadas devido à falta de documentos que comprovassem sua propriedade.

A consequência dessas políticas foi a intensa dependência da economia do capital estrangeiro, o empobrecimento da população local e a intensificação da repressão a partir do uso da violência policial.

Essa situação uniu parte da burguesia mexicana, anarquistas, socialistas e camponeses na reivindicação de reformas políticas e sociais.

Entre 1910 e 1911 rebeliões camponesas acabaram forçando a renúncia de Díaz, que se exilou na França enquanto Madero assumiu a presidência.

Porém as rebeliões se intensificaram e os camponeses, chefiados por Pancho Villa e Emiliano Zapata, atacaram os latifundiários e dividiram as terras entre a população. A reação veio liderada pelo general Victoriano Huerta, apoiado pelos Estados Unidos. Em 1913 Madero foi deposto e assassinado, Huerta assumiu a presidência e em 1914 os Estados Unidos tentou intimidar Huerta e os revolucionários.

A rebelião continuou, Huerta foi deposto e Carranza assumiu o comando do país apoiado pelos líderes revolucionários.

Entre 1916 e 1917 os Estados Unidos invadiu o México em busca de Pancho Villa, intento que fracassou, houve a reunião de uma Assembleia Constituinte e a promulgação da Constituição.

Entre 1917 e 1923 os líderes revolucionários Pancho Villa e Zapata foram assassinados, mas as pressões populares continuaram.

EM 1920 Álvaro Obregón assumiu a presidência e sob seu governo os sindicatos se organizaram, um plano nacional de educação foi instituído e deu-se o desenvolvimento do movimento muralista.

Capítulo 2 - A OBRA DE RIVERA E O MOVIMENTO MURALISTA

2.1 Movimento Muralista

A partir da chegada de Álvaro Obregón ao poder inicia-se uma busca pela construção da identidade nacional mexicana, assim setores como educação e artes ganham importância. Intelectuais assumem cargos de destaque na administração pública. Um dos principais nomes dessa época é José Vasconcelos, advogado, filósofo e escritor que ocupou o cargo de Ministro da Educação Pública.

Os ideais desses homens estavam diretamente ligados à construção de uma nova ordem nacional, visando combater as condições de injustiça social, exploração e analfabetismo às quais estavam sujeitas as populações indígena e rural, fruto dos anos de porfiriato.

Seu maior objetivo era a incorporação total da população indígena à população mexicana.

Para tanto apostou na construção de um projeto de natureza pedagógica para a efetivação da cultura e estética propriamente mexicanas.

O movimento muralista, dentre os movimentos artístico, foi o que atuou de forma mais vigorosa, contribuindo para essa finalidade.

“As narrativas enredadas e a reprodução dos murais evidenciam a sua importância na corroboração da proposta de uma arte de caráter público, opositora à tradição ocidental europeia da pintura de cavalete emergente na América Latina nos idos de 1920.” (BEAUCLAIR, 2005, p. 3)

Assim, a importância dessas obras não se encontra apenas nas questões estética e histórica mas também na questão política e nos debates que ainda suscitam.

Os principais nomes do muralismo mexicano são José Clemente Orozco (1883-1949), Diego Rivera (1886-1957) e David Alfaro Siqueiros (1896-1974).

Em seus trabalhos é possível perceber as relações estabelecidas entre as sociedades pré-hispâncias como genitoras da genuína cultura mexicana, cujo resgate é realizado a partir da Revolução Mexicana.

Beauclair aponta que ainda hoje existe um esforço do poder público mexicano na conservação e divulgação dessas obras, de suas mensagens e em associar a pintura mural com a Revolução, porém alerta para o fato do muralismo não se reduzir a uma produção meramente política, como já foi acima citado. Há uma grande importância política nas obras murais, mas a questão estética e cultural não podem deixar de ser observadas bem como o interesse desse movimento na construção de uma cultura nacional mexicana.

Segundo Hannah Gilman, as principais características do muralismo mexicano são:
Estarem as obras em locais públicos, tratarem de uma temática revolucionária, mesclarem influências artísticas, visarem o reforço da identidade mexicana, estabelecerem conexão entre a arte e a sociedade e ampliarem o conhecimento da história nacional.

2.2 A obra de Diego Rivera

De 1907 a 1921, Diego Rivera estudou na Europa por conta de uma bolsa de estudos. Ali, além de travar conhecimento com diversos pintores e demais artistas, tomou contato com o cubismo e o renascimento, que foram influências permanentes em suas obras.

Ao retornar ao México, dedicou-se à pintura muralista e juntamente com Orozco e Siqueiros, foi considerado um dos três grandes nesta arte.

Como já foi citado anteriormente, o movimento muralista buscou resgatar a suntuosidade da cultura pré-colombiana como representante legítima do povo mexicano.

Rivera produziu obras monumentais não apenas na forma mas no conteúdo. Entre 1921 e 1956, realizou 6.730 m2 de pintura distribuídos entre México, Estados Unidos, China e Polônia.

O posicionamento político de Rivera também figurou em sua obra. Comunista, é comum a presença dos indígenas de maneira idealizada. As figuras aparecem pintadas em forma bidimensional e suas pinturas sofreram as influências do Cubismo e do Renascimento.

Entre seus murais mais famosos estão os do Palácio do Governo, de 1929, e os do Palácio Nacional, de 1935, no México. Mas o mais polêmico trabalho de Diego foi realizado em Nova York, no Rockfeller Center, de 1930 a 1934, chamou-se “Man at the crossroads looking with hope and high vision to the choosing of a new better future” e foi eliminado antes de ser terminado, devido à figura de Lênin, pintada em uma das extremidades da obra. Rivera refez o mural, na cidade do México e a ele acrescentou as imagens de Marx e Trotsky.

Capítulo 3 - MURAL “OS EXPLORADORES”
Mural “Os Exploradores”, de Diego Rivera – Universidade de Chapingo, México.
Fonte: http://www.brasilartesenciclopedias.com.br/mobile/internacional/mural09.html
3.1 Análise da Obra
Dentre as características do muralismo apontadas por Hannah Gilman (obras em locais públicos, temática revolucionária, mescla de influências artísticas, reforço da identidade mexicana, estabelecimento de conexão entre a arte e a sociedade e ampliação do conhecimento da história nacional), podemos verificar nesta obra a presença de todas. O mural se encontra em uma parede da Universidade de Chapingo, no México, ou seja, em local público. A temática revolucionária se expressa já no título da obra e as imagens de trabalhadores sendo coagidos é emblemática. Tanto em explorados como em exploradores (rapaz que está com a arma, em cima do cavalo) é possível perceber características físicas atribuídas ao povo mexicano, principalmente aos descendentes de indígenas. A situação remete ao período pré-revolução, quando indígenas e camponeses tiveram suas terras confiscadas pelo governo e repassadas a grandes proprietários de terra mexicanos e estrangeiros, o que liga a arte à realidade social de um passado recente. É também possível perceber certa geometrização das figuras, provavelmente, influência da arte cubista.

Além disso é preciso apontar à esquerda, soldados que revistam um minerador representando a opressão que a polícia exercia sobre as classes populares durante o porfiriato. Há uma pessoa branca, de características claramente caucasianas, em cima de um cavalo chicoteando um nativo juntamente a esta personagem observa-se alguém, em trajes menos sofisticados, apontando uma arma aos trabalhadores.

Neste mural, Rivera retrata a opressão exercida pelo governo sobre as classes populares apontando o cenário social, político e econômico no México pré-revolução.

Bibliografia

1.CAMPOS, Raymundo. História da América. São Paulo: Atual, 1982.

2.DICIONÁRIO OXFORD DE ARTE. SP: Martins Fontes, 1996.

3.QUINSANI, Rafael Hansen. A Revolução na Encruzilhada: uma análise da arte revolucionária do muralismo mexicano a partir da imagem: O Homem Controlador do Universo, de Diego Rivera. In: História, imagem e narrativas, RS, n.11, 2010.

4.SOUZA, Jorge José Barros. O Labirinto da Solidão: os caminhos e descaminhos da Revolução Mexicana. In: Revista Contemporânea – Dossiê Nuestra América, SP, Ano2, n. 2, 2012.

Internet

1.Anais ANPUH

2.Brasil Artes Enciclopédias
http://www.brasilartesenciclopedias.com.br/mobile/internacional/mural09.html

3.Centro de Investigação para Tecnologias Interactivas
http://www.citi.pt/cultura/artes_plasticas/desenho/alvaro_cunhal/rivera.html

4.Muralismo Mexicano

5.Muralismo Mexicano

6.Revolução Mexicana de 1910
https://www.youtube.com/watch?v=pZyYURRzbBk


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