quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

O Infame Comércio


Em 2009 eu tive o prazer e o privilégio de poder ser aluna do professor Jaime Rodrigues na Universidade Federal de São Paulo. Ele ministrava as aulas de História do Brasil, mas o Jaime sempre foi além do script e nos fazia pensar sobre o fazer histórico e o ofício do historiador,através dos questionamentos que levantava a partir dos textos trabalhados em sala de aula.
Para entender melhor o que pensava meu professor sobre a disciplina que lecionava recorri à leitura de seu livro “O Infame Comércio” onde o tráfico negreiro e o término da escravidão têm um enfoque diferente do tradicional.
As questões levantadas passam pelos pressupostos de que o fim do tráfico negreiro não se deu única e exclusivamente por conta da pressão inglesa sobre o governo brasileiro e que o término da escravidão não foi um processo gradualmente planejado com as publicações das leis Eusébio de Queirós e Ventre Livre visando à preparação da sociedade para a Lei Áurea, como tanto se divulga nos cursos de ensino fundamental e médio.
As fontes utilizadas para a pesquisa dão voz aos mais diversos atores sociais, encampando desde os discursos parlamentares até os documentos que envolvem o povo livre e escravo da época, imprimindo à narrativa histórica um tom dinâmico e fugindo dos relatos unilaterais que tendem ao estancamento do debate historiográfico.
Embora seja um trabalho acadêmico, sua tese de mestrado, o livro é escrito em linguagem acessível e clara, podendo ser lido tanto por especialistas quanto por apreciadores da área.

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