quinta-feira, 18 de setembro de 2014
Sem título
Eu não tenho sex apeal.
Ando meio torta, gosto de usar calcinha de algodão e detesto salto alto.
Falo palavrão, gosto de futebol e não costumo usar palavras delicadas para dizer o que penso.
Prefiro História à Arte, cerveja ao vinho, buteco à lareira, rap à ópera, Esparta à Atenas.
Os vestidos, geralmente, não me caem bem, não sei lidar com a sofisticação.
Talvez porque na adolescência neguei tanto o meu feminino por tomá-lo, equivocadamente, como fútil que hoje é impossível retomá-lo.
O feminismo me ajudou a amar meu corpo, a perceber que a ligação direta entre mulher e futilidade é uma construção social que serve ao mundo do macho alfa, mas isso não foi o suficiente para me reconstruir completamente.
Aos 40, não espero mais conseguí-lo nem tenho mais tempo e paciência para tentar.
A consciência do meu lugar na sociedade tem sido suficientemente importante para continuar seguindo assim, uma Dercy sem talento, uma Rebordosa sem fama. Seguirei sendo o que sempre fui, independentemente das causas e consequências.
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