A origem do futebol no Brasil é ainda nebulosa e talvez nunca cheguemos a uma única conclusão sobre ela.
Há, pelo menos, três diferentes versões para explicar o desembarque do "nobre esporte bretão" em nossas terras.
As explicações às quais tivemos acesso se relacionam diretamente a uma disputa entre as cidades de Rio de Janeiro e São Paulo na construção da identidade nacional.
Para alguns estudiosos, Charles Miller, um paulistano filho de pai escocês e mãe brasileira, foi quem trouxe para o Brasil a primeira bola de futebol e um livro com as regras do jogo, após uma viagem de estudos à Inglaterra.
Um segundo grupo de pesquisadores afirma que o futebol já era praticado, por alunos de colégios jesuítas antes de Miller voltar de sua estada na Europa.
Finalmente, outros acadêmicos nos acenam com documentos que situam a origem do jogo em nosso país, a partir de disputas entre marinheiros, no porto do Rio de Janeiro.
Seja como for, fato é que o futebol ao qual nos acostumamos a assistir às quartas e domingos, transmitido pelas grandes empresas de comunicação, nasceu em uma sociedade há pouco livre da dependência da mão de obra escrava e ainda cheia de preconceitos contra os negros.
Segundo Fábio Franzini, os cidadãos viam a prática do "football" como algo civilizado demais, que deveria ficar restrita "aos rapazes das boas famílias". Isso significava a exclusão de trabalhadores, analfabetos, pobres e negros.
Durante muito tempo, essa mentalidade promoveu um apartheid declarado no meio futebolístico. Com a profissionalização, a partir da década de 1930, os negros passaram a ser aceitos entre os clubes, porém será que isso significou o fim do preconceito étnico no futebol nacional?

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