sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Poluição Sonora


Esse talvez seja o pior de todos os tipos de poluição, o mais invasivo e o mais perturbador.
Você está na sua casa, lendo seu livro preferido e dali a pouco começa, sabe – se lá de onde, uma música ensurdecedora que chacoalha seu apartamento, invade os cômodos de sua residência e simplesmente lhe impede de fazer qualquer outra coisa que não seja escutar aquilo, tão agradável ao outro, mas terrivelmente insuportável para você.
Pode parecer pedante o que estou escrevendo, coisa de gente velha ou ranzinza, mas é realmente angustiante saber – se refém de alguém desprovido do olhar para o coletivo.
Morar em uma cidade, onde os imóveis são próximos uns dos outros, exige esse olhar solidário do respeito ao próximo e do autocontrole.
Não é algo que se aprende na escola, compreender que estamos rodeados por outros seres como nós, dotados de individualidade, necessitados de espaço e tempo para si e suas atividades de lazer ou descanso, é uma questão de sensibilidade e respeito pelo lugar que o outro tem direito a ocupar em uma sociedade.
Colocar limites a nós mesmos não nos faz menos livres, apenas não nos transforma em tiranos sequiosos de invadir os espaços alheios em busca de autoafirmação.
Aparelhos sonoros, sejam eles de qualquer natureza, em volumes baixos são um sinal de cortesia, delicadeza e respeito ao outro.
Bons modos cabem em qualquer situação e rendem mais admiração do que o seu oposto.

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